Marinharia · saber de bordo

Marinharia e R.I.E.A.M.

Os nós que todo o marinheiro deve saber de olhos fechados e as regras que importa ter sempre presentes a bordo. Para relembrar antes de largar.

Os essenciais

Nós de marinheiro

Lais de guia

Bowline

Para que serve: Fazer uma alça fixa que não corre nem aperta: amarrar a um cabeço, içar alguém, prender a escota ao punho da vela.

  1. 1Faça uma pequena volta no cabo, com o chicote por cima — a «toca do coelho».
  2. 2Passe o chicote pela volta, de baixo para cima — «o coelho sai da toca».
  3. 3Dê a volta por trás do firme — «dá a volta à árvore».
  4. 4Volte a meter o chicote na pequena volta — «e volta para a toca». Aperte puxando o firme.

AtençãoNão se desfaz com o cabo em carga, mas pode afrouxar sem tensão: deixe um chicote comprido.

Ver os nós animados passo a passo (Animated Knots, em inglês)

Falar a mesma língua

Vocabulário de bordo

Proa
A frente da embarcação.
Popa
A parte de trás.
Bombordo
O lado esquerdo, olhando para a proa. Luz vermelha.
Estibordo
O lado direito, olhando para a proa. Luz verde.
Meia-nau
A zona a meio do comprimento.
Amura
A parte do costado junto à proa (amura de bombordo / de estibordo).
Alheta
A parte do costado junto à popa.
Través
A direção perpendicular ao meio do barco.
Barlavento
O lado de onde vem o vento.
Sotavento
O lado para onde vai o vento.
Calado
A profundidade a que vai a parte mais funda do casco.
Boca
A largura máxima da embarcação.
Chicote
A ponta de um cabo.
Firme
A parte do cabo que está em esforço ou presa.
Seio
A curva de um cabo dobrado sobre si próprio.
Espia
Cabo de amarração ao cais.
Regeira
Espia que trabalha em diagonal, para evitar que o barco corra para vante ou para ré.
Filame
O comprimento de amarra ou cabo largado ao fundear.

R.I.E.A.M. · Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar

Regras de rumo e governo

Rodas a rodas (regra 14)

Dois navios a motor de proa um para o outro: ambos guinam para estibordo e passam bombordo com bombordo.

Rumos cruzados (regra 15)

Entre dois navios a motor, quem vê o outro pelo seu estibordo (do lado da luz verde) tem de se desviar e, se possível, evitar cortar-lhe a proa.

Ultrapassagem (regra 13)

Quem alcança outro navio tem sempre de se manter afastado dele, seja à vela ou a motor.

Motor e vela (regra 18)

O navio a motor afasta-se do navio à vela, do que está a pescar e do que tem capacidade de manobra reduzida ou está sem governo.

Entre veleiros (regra 12)

Com o vento em amuras diferentes, cede quem tem o vento por bombordo. Na mesma amura, cede o que está a barlavento.

Canais estreitos (regra 9) — muito importante no Tejo

Embarcações com menos de 20 m e veleiros não podem estorvar navios que só conseguem navegar dentro do canal. Navegue o mais encostado possível ao limite do canal do seu estibordo e nunca corte a proa a um navio ou a um cacilheiro.

Quem tem prioridade também tem o dever de evitar o abalroamento: se o outro não se desvia, manobre a tempo.

Apito e buzina

Sinais sonoros de manobra

  • •Um som curtoEstou a guinar para estibordo.
  • • •Dois sons curtosEstou a guinar para bombordo.
  • • • •Três sons curtosEstou a dar máquina atrás.
  • • • • • •Cinco ou mais sons curtosNão percebo as suas intenções / dúvida — atenção!
  • —Um som longoAproximação a uma curva ou zona sem visibilidade; navio a sair da doca.
  • — (cada 2 min)Som longo de 2 em 2 minutosNavio a motor com seguimento, com nevoeiro.

Som curto: cerca de 1 segundo. Som longo: 4 a 6 segundos.

Navegar de noite

Luzes de navegação

  • Bombordo

    Luz de borda, visível de proa até 22,5° para ré do través.

  • Estibordo

    Luz de borda, visível de proa até 22,5° para ré do través.

  • Mastro

    Navio a motor a navegar. Visível de proa até 22,5° para ré do través nos dois bordos.

  • Alcançado (popa)

    Visível de ré, nos 135° de trás.

  • Fundeado

    Embarcação fundeada (noite). De dia, uma bola preta.

Para lembrar: «verde com verde, vermelho com vermelho, passa-se bem». Se vê o verde e o vermelho ao mesmo tempo, o navio vem direito a si.

Sistema IALA — região A (Portugal)

Balizagem e navegação em canais

CANAL NAVEGÁVELA ENTRAR / A SUBIR O RIO →BOMBORDO · vermelhoESTIBORDO · verde

O sentido convencional

As marcas laterais leem-se no sentido de quem vem do mar: a entrar no porto ou a subir o rio, o vermelho fica a bombordo e o verde a estibordo.

A descer o rio para a barra, é ao contrário: verde a bombordo e vermelho a estibordo.

No Tejo, «entrar» é vir da barra e subir o rio. Em caso de dúvida, a carta náutica tem uma seta a indicar o sentido da balizagem.

Marcas laterais

  • Bombordo

    Dia Vermelha, em forma de lata (ou pilar). Alvo: uma lata vermelha.

    Noite Luz vermelha, qualquer ritmo exceto Fl(2+1).

    A subir o rio ou a entrar no porto, deixe-a por bombordo (à sua esquerda).

  • Estibordo

    Dia Verde, cónica (ou pilar). Alvo: um cone verde de bico para cima.

    Noite Luz verde, qualquer ritmo exceto Fl(2+1).

    A subir o rio ou a entrar no porto, deixe-a por estibordo (à sua direita).

  • Canal preferido a estibordo

    Dia Vermelha com uma larga faixa verde. Alvo: lata vermelha.

    Noite Luz vermelha Fl(2+1).

    Bifurcação: o canal principal segue por estibordo. Para o seguir, trate-a como marca de bombordo.

  • Canal preferido a bombordo

    Dia Verde com uma larga faixa vermelha. Alvo: cone verde.

    Noite Luz verde Fl(2+1).

    Bifurcação: o canal principal segue por bombordo. Para o seguir, trate-a como marca de estibordo.

Marcas cardinais

Mostram de que lado está a água segura: passe pelo lado do nome da marca. Os cones apontam para as zonas pretas.

  • Cardinal Norte

    Dia Preto em cima, amarelo em baixo. Dois cones de bico para cima.

    Noite Branca, rápida ou muito rápida contínua.

    Passe a norte dela.

  • Cardinal Este

    Dia Preto–amarelo–preto. Cones base com base.

    Noite Branca, 3 relâmpagos (como as 3 horas no relógio).

    Passe a este dela.

  • Cardinal Sul

    Dia Amarelo em cima, preto em baixo. Dois cones de bico para baixo.

    Noite Branca, 6 relâmpagos + um longo (as 6 horas).

    Passe a sul dela.

  • Cardinal Oeste

    Dia Amarelo–preto–amarelo. Cones bico com bico.

    Noite Branca, 9 relâmpagos (as 9 horas).

    Passe a oeste dela.

Marcas outras marcas

  • Perigo isolado

    Dia Preta com faixa vermelha. Duas esferas pretas.

    Noite Branca Fl(2).

    Perigo pequeno exatamente ali; há água navegável à volta. Dê-lhe resguardo.

  • Águas seguras

    Dia Riscas verticais vermelhas e brancas. Uma esfera vermelha.

    Noite Branca isofásica, ocultações, relâmpago longo de 10 s ou Morse «A».

    Água navegável à volta: meio do canal ou aproximação a um porto.

  • Marca especial

    Dia Amarela. Alvo em X amarelo.

    Noite Luz amarela.

    Zona especial — recreio, cabos submarinos, exercícios, aquacultura. Veja na carta o que indica.

  • Naufrágio recente

    Dia Riscas verticais azuis e amarelas. Cruz amarela.

    Noite Luz azul e amarela alternada.

    Perigo novo ainda não cartografado. Mantenha-se bem afastado.

Enfiamentos

anterior · posterioralinhadas: no eixodesalinhadas: corrija

Duas marcas ou luzes em terra, a de trás mais alta. Com as duas alinhadas, está no eixo do canal. Se a de trás aparece à direita da da frente, o barco está à direita do eixo: corrija para bombordo, para o lado da marca da frente, até as voltar a alinhar (e ao contrário). Regra fácil: governe para o lado da marca da frente. As entradas do Tejo têm enfiamentos assinalados na carta.

Luzes de setor

Um só farol mostra cores diferentes conforme a direção de onde é visto. O setor branco marca o caminho seguro; os setores vermelho e verde avisam que está a sair dele. Confirme sempre na carta os limites e as cores de cada setor.

Como ler uma luz na carta

  • F fixa · Fl relâmpago · LFl relâmpago longo
  • Q rápida · VQ muito rápida
  • Iso isofásica (tanto acesa como apagada) · Oc ocultações (mais tempo acesa)
  • Exemplo: Fl(2) R 6s = dois relâmpagos vermelhos a cada 6 segundos.

Regras dentro do canal

  • Navegue o mais junto possível ao limite do canal que fica do seu estibordo (regra 9).
  • Embarcações com menos de 20 m e veleiros não podem estorvar quem só consegue navegar no canal.
  • Não atravesse o canal se isso obrigar um navio a manobrar; cruze-o perpendicularmente e depressa.
  • Não fundeie no canal, a não ser em emergência.
  • Antes de uma curva sem visibilidade, um som longo; responda ao som longo de quem vem do outro lado.
  • Para ultrapassar num canal, peça com sinais sonoros e espere que o outro concorde.

A balizagem real do estuário aparece na camada «Balizagem» do mapa de Tráfego. Os desenhos acima são esquemáticos.

Ferro e cais

Fundear e atracar

Fundear

  • Confirme a profundidade, a altura da maré e o espaço para o barco rodar.
  • Aproe ao vento ou à corrente e largue o ferro com o barco parado ou a cair para ré.
  • Filame: pelo menos 3 vezes a profundidade com amarra, 5 com cabo, 7 ou mais com mau tempo.
  • Tome duas referências em terra (ou ligue o alarme de garra) para saber se está a garrar.
  • De noite, luz branca a toda a volta; de dia, a bola preta.

Atracar

  • Prepare defensas e espias antes de chegar, com os chicotes livres.
  • Aproxime-se devagar, contra a corrente ou o vento sempre que possível — no Tejo, a corrente manda.
  • Passe primeiro a espia que segura o barco contra a corrente.
  • Espias de proa e de popa seguram o barco ao cais; as regeiras impedem que corra para vante ou para ré.
  • Nunca ponha as mãos ou os pés entre o barco e o cais.

Segundos que contam

Homem ao mar

  1. 1Gritar «Homem ao mar!» e por que bordo caiu.
  2. 2Uma pessoa aponta para quem caiu e nunca deixa de olhar para ela.
  3. 3Lançar logo a boia salva-vidas (e a bóia de luz, de noite).
  4. 4Marcar a posição: botão MOB do GPS ou do plotter, ou anotar a hora e a posição.
  5. 5Guinar para o bordo onde a pessoa caiu, para afastar o hélice, e voltar para trás.
  6. 6Aproximar devagar, a motor quase parado, por sotavento da pessoa; desembraiar ao chegar perto.
  7. 7Se a perder de vista ou não conseguir recuperá-la: MAYDAY no canal 16 ou 112.

Para lembrar

Pôr-me à prova

Pergunta 1 de 20

Ouve um som curto de um navio. O que significa?

Resumo de apoio. Não substitui o R.I.E.A.M., a formação náutica nem as instruções das autoridades marítimas.